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Polícia prende na Via Dutra operador de Cabral suspeito de lavagem de dinheiro

03.02.2017

As polícias Federal e Rodoviária Federal prenderam, por volta das 13h20 desta quinta-feira (2), Ary Ferreira da Costa, um dos principais suspeitos de operar um esquema criminoso de lavagem de dinheiro, como mostrou o Jornal Hoje. Ary era assessor do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, do PMDB, e teve a prisão decretada a pedido do Ministério Público Federal (MPF) na operação Mascate, desdobramento da Lava Jato.

Ary estava de bermuda e chinelos, num carro, acompanhado da mulher, e foi parado na Via Dutra, na altura de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. Ele vai ser levado para a sede da Polícia Federal, depois de uma longa manhã de buscas em endereços onde ele poderia estar.

O advogado de Ary da Costa Silva negou envolvimento do cliente no esquema e disse que ele iria se entregar à tarde. Segundo Júlio Leitão, Ary estava de férias com a família e ficou surpreso com as acusações.

O novo alvo da Lava Jato foi procurado em condomínios de luxo na orla da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Os policiais federais chegaram a chamar um chaveiro para abrir a porta em um dos endereços. Ary não estava e, pelo telefone, prometeu se entregar.

Entre o material apreendido na operação desta quinta está um Camaro amarelo avaliado em R$ 220 mil, segundo o MPF.

De acordo com os procuradores , Ary é considerado um dos principais operadores financeiros da quadrilha ligada ao ex-governador Sérgio Cabral. Ele começou a trabalhar com o político em 1980, quando Cabral era deputado estadual.

Segundo as investigações, em 1996, Ary começou a trabalhar em cargo comissionado no gabinete do Cabral e, posteriormente, teve passagens por várias secretarias quando Cabral estava à frente do governo do estado. Ele era assessor especial do ex-governador.

Em dezembro, logo após o início da operação Calicute, Ary pediu exoneração do cargo concursado que tinha na secretaria da Fazenda. No mês anterior, Cabral e a ex-primeira-dama Adriana Ancelma tinham sido presos na Calicute.

No pedido de prisão de Ary, os procuradores detalham o esquema de lavagem de dinheiro e afirmam que Cabral pedia 5% de propina de todos os contratos assinados com o governo do estado.

Quem intermediava o pedido de propina era o secretário Wilson Carlos, e a função de Ary era entregar o dinheiro lavado por falsas consultorias. Os procuradores acompanharam a movimentação financeira dessas consultorias e identificaram que entre 2007 e 2015 arrecadaram milhões de reais.

 

Como funcionava o esquema

 

Em 2007, o faturamento de uma dessas empresas de consultoria era R$ 770 mil. Três anos depois, o faturamento passou para R$ 2,5 milhões e, em 2015, época em que o ex-governador renunciou ao cargo, o faturamento da empresa foi de R$ 7 mil.

Ainda segundo os procuradores, em 2010, no auge do faturamento, a empresa possuía apenas um funcionário. De 2011 a 2014, a empresa não tinha funcionários, sendo que em 2013 o faturamento da mesma foi de R$ 2,3 milhões.

Ary é suspeito de pegar o dinheiro vivo desse esquema e intermediar a lavagem de dinheiro e a ocultação de patrimônio. Segundo a investigação, ele entregava o dinheiro para donos de concessionárias de veículos, que contratavam serviços de consultoria da empresa de Carlos Miranda – também apontado como operador de Sérgio Cabral nesse esquema.

Apenas através dessas concessionárias foi lavado mais de R$ 10,8 milhões, segundo o MPF. Quem delatou o esquema foi Adriano Reis, dono de uma das concessionárias.

As investigações apontam ainda que, o que Ary fazia com essa empresa se repetia com vários empresários do estado. Por isso, não é possível dimensionar todo o dinheiro que foi lavado pelo grupo.

Uma imobiliária também era usada para ocultar o patrimônio de Ary. O ex-assessor de Sérgio Cabral entregava dinheiro vivo para Adriano Reis, que comprava em nome da própria imobiliária casas e carros de luxo, que na verdade pertenciam a Ary, mas ficavam registrados como patrimônio da imobiliária. Foi identificada a compra de sete imóveis nesse esquema, que dava aparência de licitude para a compra dos bens.

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